Faltam poucas semanas para começar uma nova idade e pela primeira vez a euforia deu espaço para a calmaria. Alguns chamam isso de maturidade, eu chamo de resiliência! Há vários significados para essa palavra, mas a minha favorita é: “a capacidade de uma pessoa lidar com seus próprios problemas, vencer obstáculos e não ceder à pressão, seja qual for a situação”.

De tempos em tempos, a nossa habilidade de adaptação é testada. Isso acontece com todos nós em diferentes etapas da vida. E o principal objetivo da resiliência não é restaurar o passado, mas sim propiciar condições de dar um salto para frente e saímos da inércia. E de verdade? Isso parece fácil e lindo na teoria, mas a prática é bem diferente.

Mas antes de chegar de fato na resiliência, vamos falar sobre a minha ansiedade. Por favor, peço que antes de você revirar seus olhos e/ou me julgar, que você me leia. Se não for capaz de fazer isso, prefiro que feche a postagem agora. Precisamos sim falar da ansiedade que é considerada o mal do século, mas começarei devagar.


Desde pequena, sempre fui considerada uma criança agitada e ansiosa. Mas era uma ansiedade normal, daquelas que te dá frio na barriga por causa de uma data especial que você esperou muito. Ou aquela que aparece semanas antes de fazer uma prova difícil ou apresentar um trabalho na frente da sua turma. Essa era a minha ansiedade até o fim da faculdade. E ela passava assim que o grande dia chegava.

Mas alguma coisa mudou dentro de mim e não foi algo tão perceptível assim, como mudar a cor dos cabelos. Essa mudança foi ocorrendo tão lentamente, que não me sinto capaz de definir com exatidão quando isso aconteceu de fato. Porém, passei a ter medo de fazer as coisas porque tudo o que eu pensava em fazer, meu pensamento tornava essa coisa mil vezes pior. Logo eu, que era apaixonada por montanhas russas.

Fui deixando de fazer pequenas coisas no meu dia-a-dia por medo de coisas que eu nem podia controlar. Deixei de andar de ônibus por medo de ser assaltada, sendo que graças a Deus eu nunca presenciei e nem vivenciei algo assim. Mas o fato de estar em um ônibus me gerava esse sentimento ansioso e logo surgiu o pânico. Mas o fato era que eu precisava andar de ônibus e me obrigava a enfrentar isso todos os dias.

Porém, chegou um dia em que mesmo eu me obrigando a fazer as coisas de sempre, eu não consegui mais. Deixei que essa ansiedade tomasse conta de mim e deixei de sair de casa, encontrar amigos e fazer o que eu precisava pelo simples fato da minha ansiedade conseguir listar 100 jeitos de diferentes de morrer no trajeto casa/local que eu precisava ir. E pronto, eu não saia mais de casa.

Deixei de ser independente, deixei de me sentir capaz de fazer pequenas coisas no meu dia-a-dia e me acomodei nisso tudo. Mas sabe o que era pior? Perceber que eu estava levando as pessoas que eu mais amava para o mesmo lugar onde eu me encontrava. Eu tinha uma pessoa que independente de como eu estava me sentindo, me apoiava e me fazia sair daquele estado e voltar a ser quem eu era realmente.

E descobri do jeito mais difícil que as pessoas não são obrigadas a fazer o que elas não querem. E assim, acabei deixando muitas pessoas queridas irem embora. Me culpei demais, me odiei demais por isso durante muito tempo. Até que entendi que precisava organizar o meu próprio jardim para que as borboletas voltassem ou aparecessem novas borboletas. Não foi fácil. E eu perdi muita coisa e muitas pessoas nesse processo natural chamado: vida.

E então percebi que a minha habilidade de adaptação estava sendo testada novamente. A minha resiliência estava sendo testada em todos os aspectos da minha vida. As mudanças não precisavam acontecer apenas no meu relacionamento, mas na família, no trabalho, na saúde, nos estudos e nas amizades... Tudo precisava se agitar. A energia precisava mudar e eu precisava aprender alguma coisa com todo esse movimento. E eu sofri, como sofri. E doeu demais!

Foram muitas lágrimas derrubadas nesse processo. Mas também muitas gargalhadas e pequenos sonhos retomados naquela lista refeita em 2016. As escolhas não foram feitas às pressas e eu passei a ouvir mais o meu coração. Deixei-me guiar pela intuição e planejamento e organização foram essenciais para isso.

Aprendi a usar minhas qualidades e os meus defeitos a meu favor. Ainda estou no processo de parar de reclamar e agradecer pelas pequenas coisas que acontecem no meu dia-a-dia. Mas percebi que todos os dias, tenho um motivo para agradecer, por mais difícil que tenha sido. Não existe uma receita, até porque não é como fazer um bolo. Estou vivendo um dia de cada vez e isso tem feito a maior diferença nos meus dias.

Estou seguindo em frente, sabe? Um dia de cada vez, um passo de cada vez. Sem pressa e lutando todos os dias para não dar ouvidos para a minha ansiedade. Que continua aqui me dando os mesmos 100 motivos de como eu não consigo fazer aquilo e/ou listando mais 100 jeitos diferentes de ser morta no trajeto casa/shopping. Como digo para as amigas “estou fingindo a famosa demência e seguindo o baile”. Mesmo que nesse mesmo baile eu seja a rainha dele em alguns dias e a Carrie em outros.


Aprendi a ir, para me reconhecer de volta. Para me reaprender e me aprender de novo ♥

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