Olá, como vai você?

No último sábado – 17 de dezembro – o blog completou quatro anos! Dá para acreditar? Não sei quando você chegou aqui e nem como conheceu o meu cantinho, mas ele existe e é ativo a todo esse tempo aí.

Se você chegou aqui esse ano, pegou a pior fase do blog. E peço desculpas por isso. Quem chegou antes disso, sabe o quão dedicada eu era. Ainda sou, mas de uns meses pra cá a vontade de postar no blog vem diminuindo.

Quantas vezes esse ano o blog recomeçou? Vocês contaram? Eu perdi a conta, confesso. Depois de refletir por um bom tempo, decidi que devia uma explicação para vocês, meus leitores. Devo isso a vocês, que me ajudaram a crescer e chegar até aqui.

Vou começar pedindo desculpas – devo parar com essa mania de me desculpar por tudo, mas não hoje – peço desculpas de verdade. Sei que todo o meu anúncio de volta gera uma expectativa positiva e quando eu quebro a promessa de voltar, vocês ficam frustrados. Acreditem, eu sou a pessoa que mais fica frustrada.



No mundo real, eu sou professora e tenho uma carga horária de trabalho “tranquila” – vida de professora nunca é tranquila – mas é uma carga horária onde eu consigo fazer muitas coisas quando estou fora da sala de aula. O problema é que mesmo com muita dificuldade em acordar cedo, prefiro ministrar minhas aulas de manhã. Eu sou mais produtiva, mesmo que só acorde completamente lá para as 09h30min.

Esse ano a minha carga horária mudou e fui para uma escola onde trabalharia no período da tarde. Ótimo, vamos lá. Mantinha uma rotina onde conseguia administrar meus compromissos, prazos e relatórios da escola no período da manhã e as coisas do blog á noite. Sem problemas. Mas então, no final do primeiro bimestre as coisas começaram a complicar. A diretora da escola resolveu fazer da minha vida um inferno e desde então as coisas foram só ladeira abaixo.

A pressão era tanta que eu chegava à minha casa, tomava banho e dormia. Eu não queria conversar, eu não queria sair. Eu só queria comer. A minha vida social passou a ser praticamente zero e eu sentia sono a maior parte do tempo. Se você é Potterhead como eu, a sensação era como se um dementador me visitasse todos os dias e sugasse a minha felicidade, a minha vontade de viver. O despertador tocava no meu horário habitual e eu apertava a função soneca. Meu cérebro queria ser produtivo e o corpo não acompanhava, até que chegou um dia em que o cérebro parou de tentar. Dormir era o que me deixava feliz, era o que me fazia fugir da realidade. Não mais o livros.

Para tentar me animar, as amigas me chamavam para sair todas as sextas-feiras e descobri que o álcool me deixava um pouco melhor. Então passei a esperar as noites de sextas-feiras para beber e me divertir. Era como se eu estivesse anestesiando aquela dor que eu sentia. Fiquei nisso por três meses, mais ou menos. Eu tive o coração partido ano passado e naquele momento eu sentia que tinha superado o passado. Eu beijava quem eu queria e quando eu queria. E me sentia feliz assim. Eu não precisava de muita coisa para ficar feliz.

Foram ótimos meses, de verdade. Pela primeira vez no ano eu sentia que estava vivendo. Mas no fundo eu sentia muita falta de passar minhas noites de sexta maratonando seriados ou assistindo filmes até o sono bater. E os livros então? Queria a sensação de ser pega um livro, pegar no sono lendo e sonhar que eu era a personagem principal. Sim, eu sentia falta disso. Mas negava.

As coisas iam de mal a pior e para piorar eu estava virando uma pessoa dependente do álcool. Eu precisava beber para me sentir feliz. E isso estava muito errado, o sinal de alerta/perigo gritava dentro de mim. E eu ignorava, porque aquilo fazia a dor passar. Eu tinha semanas horríveis no trabalho, eu chorava quase todos os dias e não tinha vontade de nada. Então chegou julho, férias. Descansar era tudo o que eu precisava. Desliguei-me da escola, fui viajar, saí da rotina e me apaixonei. Tudo em um mês só.

De julho pra cá coisas boas aconteceram de verdade, a tristeza diminuiu e eu não precisava mais do álcool para ser feliz. Deus enviou um anjo para me ajudar a superar tudo o que estava ruim na minha vida. Claro que as semanas continuaram difíceis no trabalho, a diretora continuava uma carrasca, mas pelo menos eu tinha com quem dividir o meu fardo. Perdi as contas de quantas vezes chorei desabafando para o meu namorado. E ele com a paciência infinita me ajudando a passar pelos dias mais escuros e sem brilho da minha vida.

Eu fui pré-diagnosticada com princípio de depressão. Não chegou a ser uma depressão profunda, porque tinha dias em que eu era a Roberta de sempre e dias em que se eu pudesse passava o dia na cama desejando não acordar mais. Nunca quis morrer, ok? Pensamentos suicidas nunca passaram pela minha cabeça, mas eu só queria poder dormir sem ser interrompida. Dormir passou a ser a minha fuga dos problemas.

E por isso o blog foi ficando cada vez abandonado. Eu só não tinha vontade de mais nada. Todos os meus planos, projetos e sonhos para esse ano precisaram ser adiados a força porque eu não tinha vontade de nada. A meta de leitura não passou dos 50 livros. A menor pilha de leitura dos quatro anos de blog.

Agora estou em férias e as festas de fim de ano se aproximam. Pretendo descansar bastante e planejar, organizar e voltar o blog à ativa. Decidi começar do zero outra vez por causa da fase nova. Vamos ver como vai ser, não é mesmo? Você é meu convidado de honra e espero que faça parte do recomeço. Sem vocês não há blog.

Agradeço a quem leu até aqui e desculpa pelo desabafo. Achei mesmo que vocês precisavam saber o que tinha acontecido esse ano e o motivo de ter sumido a maior parte do tempo.

Não percam as cenas dos próximos capítulos.

Beijos, Rob.

2 Comentários

  1. Acompanho você já tem um tempo e fico muito feliz em saber que você superou esse momento ruim na sua vida. Já tive dependência no álcool e acho que sofro princípio de depressão, apesar de não ter ido me consultar para ter certeza (medo define). Esse ano definitivamente não foi um dos melhores para mim, principalmente nesse fim de ano. A vontade de jogar tudo pro alto e dormir eternamente é grande, mas a gente tenta levar como pode. Apesar de não conversar muito contigo, gosto bastante de você e te desejo muito sucesso em 2017. Beijos

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  2. Ei Rob, desejo um ótimo final de ano pra você e que consiga recarregar as forças para 2017! Espero que você consiga se reorganizar e voltar com tudo, dando seu melhor e fazendo por prazer, por amar livros <3 Beijos!
    folheandominhavida.blogspot.com

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